Camelo
Temos uma muralha que cerca uma cidade.
Caravanas chegam e partem o tempo todo. Quando anoitece as portas são
fechadas e só sobra um pequeno buraco na muralha por onde podem entrar
as caravanas atrasadas. É um buraco apenas suficiente para passar bem
apertado um camelo. Que passará se ralando pelo buraco (fundo de uma
agulha).
“E lhes digo ainda: é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus". Mateus 19:24
Quando se fala que é mais fácil um
camelo passar pelo “fundo de uma agulha” o que se quer dizer é que é
preciso soltar a carga para poder passar. Os apegos são o problema. É
preciso tirar a carga do camelo para poder passar. Antes tem a carga,
depois que tira a carga e passa, terá outros tesouros do outro lado.
Todos entrarão no Reino dos Céus dependendo do tempo que levem para
soltar. É apenas uma questão de dificuldade em soltar, não é uma
impossibilidade. Basta soltar que fica fácil. (Não estou dizendo para
ficarem na miséria e que assim entrarão mais fácil. Ficar na miséria e
reclamar não adianta nada. A questão é onde está o coração da pessoa. É
preciso bom senso e discernimento para entender o conceito. E não usar
isso como uma fuga da realidade, pois assim não é preciso mais estudar e
trabalhar).
Isso foi dito em “Guardai tesouros no
Céu onde nem os ladrões podem roubar nem as traças comerem”. “Onde está o
coração estará o tesouro”.
A questão não é a carga. É o que a
pessoa faz com a carga. O que a carga significa para a pessoa? Qual a
prioridade da carga? Desde que o coração não esteja com a carga, o
tamanho da carga é irrelevante.
Sempre que uma pessoa quer ganhar, seja
lá o que for, e puser toda a ansiedade, toda a pressão interna (do seu
coração, do desejo) isso ficará mais difícil de acontecer (efeito
Zenão). Quando a pessoa solta o resultado (aceita que o Todo dirija sua
vida) ela não terá mais ansiedade nem porá pressão em conseguir algo a
qualquer custo. Falando de outro jeito, quando aquilo não for mais
importante que tudo, aquilo poderá vir para a pessoa. Quando se solta se
tem. Quando se prende se perde.
É importantíssimo entender que o Todo
não é mesquinho. Ele é generoso ao extremo. O Todo cria (emana) de si
mesmo (O Nada, O Vazio, em termos metafísicos) todos os elementos (da
tabela periódica dos elementos da química). Portanto, o Todo cria tudo o
que existe. Todas as riquezas do universo são pura energia transformada
em algo material (sólido, luz congelada). Pode-se criar quanto ouro se
quiser, quanto diamante se quiser, etc. Tudo é só energia transformada
em algo.
O Todo nunca se deixa vencer em
generosidade. É impossível isso acontecer. Quanto mais você dá mais você
recebe. Mas, é preciso dar de coração. Dar por amor. Dar por política
não funciona. Dar como um negócio não funciona. Dar para manipular não
funciona. “Uma viúva foi no templo e deu a única moeda que tinha”. Isso é
dar. (Atenção: não estou falando para darem tudo o que tem). Estamos
explicando de uma forma que fique fácil de entender e foi a mesma coisa
que o Mestre disse a dois mil anos. Não é literal. É uma metáfora.
Porém, se olharmos isso de outra forma
teremos a seguinte situação. O que é mais importante para a pessoa? A
sua vida, é claro. Não há nada mais precioso que a vida da pessoa
(porque é o maior presente que o Todo dá para a pessoa). Se a pessoa
quer dar tudo ela deve dar a sua vida. Prestar serviço aos demais.
Ajudar aos demais incondicionalmente. (Isto não significa dar para os
que são “espertos” (predadores) e querem explorar os demais). Se a
pessoa põe sua vida à serviço do Todo, ajuda em tudo o que pode (isto
deve ficar a critério de cada um e depende do bom senso de cada um, pois
ajudar alguém e depois ficar reclamando que deu o dinheiro que tinha e
agora está na miséria, não é ajudar ninguém. Se a pessoa reclama é
porque não deu de coração. Este é um universo de livre arbítrio. Cada um
faz o que quer. Deve fazer isso conscientemente e depois não reclamar.
Portanto, a questão não é a carga. É
óbvio que cada um tem uma vocação, gosta de fazer determinada coisa.
Empreendedores gostam de empreender e outros gostam de trabalhar para
quem empreende. Cada função tem suas vantagens e desvantagens. Se um
empreendedor é uma pessoa diligente (que trabalha com gosto e prazer)
produzirá muito e empregará muitas pessoas. E todos ficarão satisfeitos
tendo trabalho. E todos progredirão. E todos terão os recursos de que
precisam para desenvolver seus talentos naturais (dados pelo Todo).
Se a riqueza vem do trabalho em larga
escala (riqueza sempre vem da produção em larga escala) e isso na mente
da pessoa é apenas uma consequência do trabalho (seu coração não está
nisso), é perfeitamente normal que seja rico. Sempre considerando que
todos os que trabalham devem ganhar um salário justo que garanta sua
vida. É muito importante considerar o tamanho da mais valia para definir
um salário. Quem entendeu o que estou explicando não terá nenhuma
dificuldade em definir o quanto é uma mais valia em que todos ganham
justamente. (Uma postagem pequena não é um livro de economia). A questão
é o conceito do que significa o camelo passar pelo fundo da agulha.
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